Dados do Trabalho


Título

NECROSE DO ESCAFOIDE (DOENÇA DE PREISER): UM RELATO DE CASO

Introdução e objetivo

A doença de Preiser, necrose avascular idiopática do osso escafóide (NAIOE), é uma condição rara que ocorre na ausência de fratura ou de pseudoartrose. Sua etiologia não é completamente compreendida, acredita-se que seja desencadeada por uma interrupção do fluxo sanguíneo para o osso escafóide. Esse estudo objetiva discutir as diferentes possibilidades de abordagens do caso de um paciente que manifestou um quadro de NAIOE.

Material e Método

Realizou-se uma revisão bibliográfica detalhada em bases de dados como PubMed, Scopus e Web of Science, focando em artigos dos últimos 15 anos que discutem abordagens cirúrgicas para NAIOE. Foram incluídos estudos de caso, revisões de literatura e ensaios clínicos que tratavam das técnicas e resultados das intervenções.

Resultados

Paciente S.O.M.S, 58 anos, hipertenso e transplantado renal, há 5 meses com dor em punho direito após esforço físico exagerado, piora progressiva limitante a atividades diárias, sem histórico de trauma. Ao exame, dor em topografia do escafoide, sem alterações neurológicas; à radiografia em AP e perfil, apresentava esclerose óssea do escafóide. Na ressonância magnética, heterogeneidade de sinal do escafoide e traços irregulares de fratura de disposição longitudinal no terço medial e transversal e nos terços médio e lateral, com extensão para superfície articular, sem desalinhamentos. Foi realizada carpectomia proximal com biópsia, que constatou NAIOE.

Discussão

A doença de Preiser afeta a circulação sanguínea do osso escafoide do punho, levando a necrose avascular óssea; pode ser abordada por revascularização ou carpectomia proximal. A revascularização consiste na remoção do tecido necrótico e a criação de um novo suprimento de sangue por enxerto vascular, podendo resultar em uma melhora da função e menor risco de artrose a longo prazo. Entretanto, essa técnica requer habilidades especializadas e maior período de imobilização pós-operatória, além de risco de falha do enxerto vascular. Já na carpectomia, há remoção completa do osso escafoide afetado, promovendo alívio imediato da dor. Porém, esta técnica pode cursar com instabilidade do punho e maior risco de artrose. A escolha da abordagem deve considerar a extensão da lesão, idade do paciente, demanda funcional e habilidades técnicas do cirurgião.

Conclusões

Para a abordagem da NAIOE, foi escolhida a carpectomia proximal após decisão em conjunto com o paciente, considerando os benefícios e riscos de cada procedimento, além das características e necessidades do paciente.

Área

Clínico

Instituições

Hospital Felicio Rocho - Minas Gerais - Brasil

Autores

PEDRO HENRIQUE PIRES, ANDRESSA SENA VARGAS, LAURA MELO MOTA, SARAH NAOMI NAGATA