Dados do Trabalho


Título

DUPLICIDADE DE CONDUTAS E A NECESSIDADE DE CENTRALIZAÇAO/COORDENAÇAO DO CUIDADO DAS PESSOAS COM DOENÇA RENAL CRONICA EM DIALISE

Relato do Caso

Paciente feminino, 43 anos, portadora de diabetes mellitus insulino-dependente, apresentando complicações sistêmicas: neuropatia diabética; gastroparesia diabética grave; retinopatia diabética; e nefropatia diabética com doença renal crônica estágio G5 em hemodiálise diária. Durante a sessão de diálise evoluiu com desorientação, agitação psicomotora, clônus ocular, hiperreflexia, clônus muscular, náuseas, vômitos e pressão arterial 220x130 mmHg. Após estabilização clínica a paciente foi encaminhada para internação hospitalar visando propedêutica adequada. As escórias encontravam-se dentro do esperado para o intervalo interdialítico, não havia distúrbios hidroeletrolíticos ou ácido-base que justificassem o quadro. Tomografia computadorizada, ressonância magnética de crânio, ecocardiograma e ultrassonografia doppler de artérias carótidas encontravam-se sem alterações. Foi, então, realizada revisão de prontuário e das medicações em uso domiciliar observando-se o uso regular de duloxetina 60 mg/dia para tratamento de dor crônica e introdução recente de venlafaxina 75 mg/dia em função de transtorno depressivo maior. Desta forma, a paciente fez uso de dois antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina (ISRSN) por cerca de 30 dias até a apresentação do presente quadro. Baseado nos critérios de Hunter, a síndrome serotoninérgica (SS) passou a ser a hipótese diagnóstica principal. Foi instituído tratamento com retirada progressiva da duloxetina associada a medidas de suporte, como sedoanalgesia e controle pressórico com vasodilatador parenteral. Após retirada completa da duloxetina, com manutenção da venlafaxina, a paciente apresentou melhora das mioclonias, tremores e a pressão arterial retornou a níveis basais. A SS é uma condição potencialmente fatal, que está associada ao aumento da atividade de serotonina no sistema nervoso central. Em geral, ocorre em pacientes em uso de drogas que atuam inibindo a recaptação de serotonina, principalmente com associação de dois medicamentos, como na paciente relatada. A SS deve ser considerada como possível causa de sintomas cognitivos, autonômicos e neuromusculares no contexto do paciente em terapêutica antidepressiva, como ISRSN. Pacientes complexos que demandam múltiplos profissionais, de diversas especialidades, como àqueles em hemodiálise necessitam que um destes especialistas centralizem e coordenem o cuidado reduzindo, assim, o risco de iatrogenias pela duplicidade de condutas.

Palavras Chave

SINDROME SEROTONINÉRGICA; HEMODIÁLISE; DOENÇA RENAL CRÔNICA; IATROGENIA;

Área

Doença renal crônica

Instituições

Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - Afya - Paraíba - Brasil, Universidade Federal da Paraíba - Paraíba - Brasil

Autores

PABLO RODRIGUES COSTA-ALVES, FELIPE JOSÉ CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE HOLANDA, AQUILINO MOTA DUARTE NETO, WELLINGTON ONIAS ALVES FILHO